15 March 2010

72 - EXPOSIÇÃO SOBRE A VIDA E OBRA DE ROMÃO FÉLIX




EXPOSIÇÃO SOBRE A VIDA E OBRA DE ROMÃO FÉLIX (PARAFUSO)
NA ACRENARMO, EM LEIRIA
“Quem nunca ouviu falar de Romão Félix? A maior parte das pessoas conhece-o por “Parafuso”. Personagem que marcou várias gerações que de algum modo viveram em Moçambique com a sua boa disposição, sempre com um sorriso no rosto e encantando todos os que o rodeiam.
Mas a história de Romão Félix não foi só o “Parafuso”, foi…menino, estudante, homem da rádio, e muito mais…
A Acrenarmo irá realizar a 1ª exposição homenageando este homem que para alguns é um símbolo da sua passagem por Moçambique, para outros será sempre o “PARAFUSO”, para nós, é um grande HOMEM!
Ele irá estar presente nos dias 13 e 14 de Março para a abertura da exposição que se irá alongar até 21 do mesmo mês.
Vem prestar a tua homenagem ao Romão Félix. Ele merece!”

Este o texto integral que a direcção da Associação Cultural e Recreativa dos Ex-Naturais e Residentes de Moçambique – ACRENARMO, divulgou no seu site oficial: http://acrenarmo.blogspot.com/, em 23 de Fevereiro último, anunciando a realização de uma exposição sobre a vida e obra do artista Romão Félix, o célebre “PARAFUSO”, aqui retratado em breves mas significativas palavras.
Nunca é de mais repetir esta frase: o artista e grande homem que marcou e encantou várias gerações em Moçambique!

O evento aí está, na acolhedora sede da Acrenarmo, sita no Largo de S. Pedro, junto ao Castelo de Leiria!

Lá estivemos para recordar a vida e obra deste personagem, mas também para abraçar o amigo de velha data já que tive a felicidade de o conhecer nos seus tempos áureos na capital de Moçambique nos anos 50, 60 e 70 e de ver muitos dos seus espectáculos ao vivo deliciando-me com a sua encantadora arte de comunicar, declamando, cantando e imitando de forma hilariante e inédita a figura de um hipotético serviçal moçambicano por si recreada com o nome de "Parafuso"!

Rever este amigo e recordar através dos cartazes, fotos, recortes de jornais e revistas e dos seus objectos pessoais onde se destacam as sugestivas indumentárias que ao longo dos anos utilizou nos seus espectáculos, foi altamente gratificante! Os anos que passaram foram já muitos e, talvez por isso, a alegria foi redobrada neste encontro, que também me proporcionou rever outros velhos amigos, como por exemplo o também célebre João Maria Tudela, outra figura que a comunidade regressada de Moçambique (e não só) igualmente muito estima.
Poderei afirmar que aqueles dois personagens, a par de um bom punhado de outros artistas amadores dessa época, tornaram a nossa vida mais alegre e divertida num tempo em que não havia televisão, mas muitos programas ao vivo promovidos pelo Rádio Clube de Moçambique, agências publicitárias, clubes, casas regionais ou mesmo empresas de relevo quando em épocas festivas!

Praticamente todos esses artistas vieram para Portugal (a metrópole de então) e aqui singraram nas suas carreiras. Romão Félix e João Maria Tudela mantiveram aqui os níveis de popularidade que já traziam de Moçambique e foram sempre os principais ídolos da comunidade dos naturais e ex-residentes daquela antiga colónia que aqui passaram a viver a partir de 1974, após as mudanças políticas que conduziram Moçambique à independência em 1975.

Convidado ou voluntário para os convívios dessa comunidade que em todo o país são organizados regularmente por cidades, bairros, regiões administrativas, serviços públicos, empresas, escolas, colégios, associações culturais, desportivas ou de ex-militares, quer para actuar ou simplesmente participar como mais um dos compatriotas vítimas da “descolonização exemplar”, o Romão Félix, já na faixa etária de septuagenário, tem sido um exemplo de solidariedade com a sua presença nesses encontros!

Ele próprio organiza e dá vida com a sua genial veia de artista, a um dos mais concorridos convívios anuais do género em Portugal – o Encontro do Alto Maé - que nos últimos anos se realiza no espaço do antigo Mercado da Ribeira em Lisboa.

Nesta exposição em Leiria, a vida e obra de Romão Félix revela-nos muitas das suas interessantes facetas, não só como artista que se revelou desde tenra idade, mas praticamente todo o seu percurso desde menino, estudante, militar, chefe de família, técnico industrial, desportista em várias modalidades e cultivador de amizades a todos os níveis da sociedade. Centenas de fotos individuais e colectivas desde a infância à actualidade; recortes de jornais e revistas com entrevistas e relatos das suas actuações como homem da rádio e artista nos mais diversos palcos púbicos e em festas especiais de caridade; cartazes antigos e modernos reportando-se aos tempos de Moçambique e aos mais de trinta anos de vida em Portugal; vitrinas repletas de objectos pessoais com destaque para as belas peças de artesanato moçambicano de sândalo e ébano (pau preto); a colecção de bonitas túnicas e outras vestes que utilizou nos seus espectáculos.
Todo o vasto património exibido nesta exposição de homenagem a Romão Félix, deixa o visitante ainda mais solidário e admirador deste Homem, na medida em que a muitos de nós escapavam aspectos pessoais e humanos que ultrapassam a aura artística a que nos habituou e sobre a qual recaíam as atenções daqueles que apenas o conheciam dos palcos e das festas. Quero referir-me às histórias ali contadas ou às simples fotografias exibidas (que dizem mais que as palavras) em que Romão Félix nos dá lições de amor ao próximo, de marido exemplar, de avô extremoso e de amigo dedicado!

Em boa hora a direcção da ACRENARMO resolveu promover esta 1ª exposição da vida e obra do carismático e simpático artista criador da incontornável figura do “Parafuso”. É uma justa homenagem que foi ainda mais valorizada pela distinção que lhe foi atribuída: a de sócio honorário desta que é a única Associação de Naturais e Ex-Residentes de Moçambique!

Parabéns pois à jovem e dinâmica direcção da ACRENARMO encabeçada pelo seu director Paulo Batista!

Parabéns ao “jovem” Romão Félix e todo o seu Clã que em grande parte o acompanhou à bela cidade do Lis e deu mais uma prova da harmonia e vida sã que reinam nesta Família!

DOCUMENTÁRIO FOTOGRÁFICO DA EXPOSIÇÃO
O nosso abraço no dia da inauguração da exposição
Romão Félix autografando o seu disco "Parafuso"
- A Saudade - uma relíquia editada em 1981
O encontro com o amigo e antigo colega de trabalho,
João Maria Tudela
O bate-papo com o João Maria Tudela,
assistido pelo inconfundível Zé Reinaldo
Paulo Batista, Romão Félix, Celestino e Dinis Marques
Zé Reinaldo, Celestino e Romão Félix
Feliz encontro com a querida amiga Vanessa e sua mãe!
Vieram de Almada para ver a expopsição e rever amigos!
Aspecto parcial da exposição
Um dos muitos cartazes sobre a vida de Romão Félix
Paulo Batista, Zé Reinaldo e Celestino
Outro aspecto da Exposição
Observando um dos cartazes
O simpático casal escutando a leitura que fiz da minha dedicatória
no livro branco do homenageado
Dinis Marques e Celestino observando o cartaz
com fotos muito especiais para o Romão Félix
Actividade intensa na mesa destinada ao homenageado!

Outro aspecto da mesa

O Cartaz com as fotos especiais

A simpática Graça (da direcção da Acrenarmo) com o homenageado observando e trocando impressões sobre as fotos especiais

Junto de um dos vários trajes utilizados por Romão Féliz nos seus espectáculos

Fernando Rainho, RF e Celestino, no segundo dia da exposição

Celestino, RF e Paulo Batista, junto do Cartaz da Gorongosa que ofereci à ACRENARMO

Foto de família no restaurante após o jantar com o casal Romão Félix

Placa de homenagem a Romão Félix - Sócio honorário da ACRENARMO

Saudações amigas!

Amor-Leiria, 15 de Março de 2009

Celestino Gonçaves

3 comments:

DINIS MARQUES said...

como nos tem habituado, o Ti Celestino faz sempre uma excelente reportagem descritiva e fotográfica dos eventos que lhe tocam a alma, ou seja, que falam e lembram Moçambique e esta é mais uma delas....parabéns.
DINIS

Rogerio Carreira said...

Dizes bem Dinis, estas reportagens são elucidativas de como se tudo se passou no local, mesmo não tendo ido á justa homenagem do Romão Féliz, eu e quem vê esta reportagem fica com uma ideia real de como tudo decorreu tal a forma tão correcta como Tio Celestino faz o relato
Obrigado pela Partilha

abraço

Dina Maria Marques said...

Olá Sr. Celestino, finalmente conhecemo-nos e foi para mim um grande prazer fazer parte daquela mesa cheia de gente que ama a nossa terra e a terá sempre no coração. Uma bonita homenagem ao Sr. Romão Félix, que também adorei encontrar. Um grande xi-coração para si, extensivo à sua gentilíssima esposa e já agora a todos os que se esmeraram na organização deste evento.
Kanimambo!!!!!